Samuel Almeida – 19 de Fevreiro 2020

Fanatismo e racismo embora filhos da mesma mãe, como qualquer casal de irmãos, pode dar-se o caso de andarem de mãos dadas e/ou às desavenças. Por vezes toda uma vida.

Nota prévia: Sou portista “praticante”, por vezes a roçar o fanático. Admiti-lo é por agora o primeiro passo. Tirando o eu e o fanatismo que em mim se criou, o caso Marega ultrapassa, deveria ultrapassar, qualquer que seja o clube, a convicção, a religião, ou origem étnica de cada um de nós que tivemos conhecimento do sucedido. O Marega não é o FcPorto nem vice-versa. Deveria ser evidente, mas não o é.

Pior, no mínimo igual, aos actos racistas que expulsaram Marega do campo de futebol, são os actos de descrédito dos que vêem na sua reação humana, corajosa e uni-pessoal pela qual foi invadido naquele momento, alguma desculpa ou consideração. Seja essa desculpa ou consideração para este acto, atribuída ao jogador, ao clube de futebol que por agora representa, ou a qualquer outro factor.

No exato momento em que sentiu que nada mais tinha sentido, nem a sua profissão, a sua entidade patronal, nem os seus agressores. No exato momento em que percebeu que nada fazia sentido a não ser a sua integridade: Marega, foi Moussa Marega. Só ele. Mas naquele momento só dele, não foi “só” Marega gritando sem voz:”- Por mim, não passaram.”Fomos todos nós que o gritámos. Nós, o “clube” dos não racistas, este grito, uma vez mais, a insuficiente voz:”- Por mim, não passaram.”

Marega naquele momento foi mais, pelo menos deveria ser considerado como um a mais e nunca mais um! Tudo que depois possa ser elencado como desculpa ou algum considerando sobre a sua atitude, não passará de fanatismo clubístico e/ou racismo, sendo que neste caso, sendo um, já se pode estar a ser o outro.

Após a minha nota prévia e a minha confissão de ter bebido e ainda provar da fonte do fanatismo (clubístico), com Marega, jamais é permitido fazê-lo ao ponto da embriaguez. Nem a mim, nem a qualquer um outro, a não ser que se seja racista. Aqui, não há espaço para mas…

O racismo não é opinião e também aparentemente já não é crime, mas ainda assim, não pode continuar a ser tomado como opinião. Se te enganas, acorda!

Ou és Marega, ou és racista.

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